quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Por nada, e por tudo!

Talvez fosse tudo um grande mal entendido. Se existisse alguma verdade naquela quantidade de pensamentos que passava pela cabeça dele, as coisas poderiam ser diferentes. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes. As vezes, ele gostava de imaginar as coisas. Como elas seriam se fossem desse jeito, ou daquele jeito, ou talvez de uma maneira mais ou menos assim. A imaginação prega muitas peças. Isso era algo que ele já havia aprendido com a vida. E mesmo assim, ele ainda se deixava levar por algo tão simples e poderoso como a imaginação.

Eles se corresponderam por um tempo. Com a tecnologia dos dias de hoje, onde ontem já é muito tarde para uma resposta, eles conversaram, riram, seduziram... Seduziram?

Ele se sentia estupido. Não por acreditar no amor, porque se existe algo em que ele acredita de maneira irrevogável, é no amor. Mas a estupidez provinha de uma carência maior.

Mas ele seguiu. Ele acreditou, novamente, em coisas que sua imaginação decretava. Deixar que a imaginação fale por si só, sem uma intervenção da racionalidade, é um ato de coragem. Mas a bravura para tamanha loucura sensata, pode se dissipar com uma pequena dose de realidade. E assim, novamente, aconteceu. O segundo tombo fora muito maior do que o primeiro. Ele quis chorar, mas suas lágrimas já haviam secado desde a primeira vez. Ele quis gritar, mas os gritos eram sufocados pelas convenções de loucura da sociedade. Ele quis ir embora, mas a geografia é uma linha tênue entre coração e realidade. Ele quis escrever, e assim ele escreveu, disse adeus, até logo, quem sabe um dia, Tchau!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O que você quer?

O que você quer?

Quero tudo!

Querer tudo é muito generalizado. Tudo envolve a morte. Envolve a tristeza. Envolve a solidão. Envolve sentimentos ruins.

Então eu quero as coisas boas!

Coisas boas podem ser deturbadas. Muitas coisas são boas, mas talvez não sejam boas pra você.

Então o que eu quero?

Mas essa pergunta eu te fiz!

E eu respondi.

Você está dizendo que respondeu exatamente o que você quer?

Acho que sim.

Achar não é certeza. A certeza é algo mais profundo. Mais certo. Mais delimitado. Mais real.

O desejo não pode ser real.

Mas aí que você se engana. Se ele não for real, e se você acredita que seu desejo é algo impossível, como ele se tornará realidade?

Mas o céu é o limite.

E certamente é. Mas se você não sabe onde é o seu céu, como saberá qual é o seu limite?

Você já não faz mais sentido.

Eu que não faço sentido, ou você que se perdeu em seus próprios pensamentos?

Você que não faz sentido.

Pode me culpar. Talvez eu mereça essa culpa. A verdade está tão mais profunda, que é absurdo eu querer te convencer agora...

Então a culpa é minha?

Você acha que a culpa é sua?

Acho que não.

Então me diga, o que você quer?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ao chegar de uma viagem...

Eram 21:30. O céu estava limpo, e poder admirar do alto a pequena cidade toda iluminada enchia meus olhos de alegria, e a cabeça de pensamentos. O Rio de Janeiro sem dúvida alguma continua lindo. Estar aqui em baixo leva consigo a presença física. O deslocamento. A distância se torna nítida, e o tempo se torna seu inimigo. Pensar que do Catete tenho que ir para a Barra da Tijuca já me deixa preguiçoso. Ainda mais em tempos de chuva como os que ocorreram nos últimos dias.
Por isso que existe uma beleza em ver a cidade lá do alto. As distâncias parecem tão menores. Os caminhos menos obstruídos. As ruas mais iluminadas. O contorno da cidade mais brilhante e todo o resto menos aglomerado. Existe uma beleza por traz da imaginação de tudo isso. Pensar que nesse exato instante, enquanto a cidade ainda funciona banhada pela luz do luar, uma mulher está no hospital tendo seu primeiro filho, enquanto um outro casal está "preparando" um. Um casal feliz sela sua união no matrimônio, enquanto um outro diz pela primeira vez EU TE AMO. Pensar que em alguma casa uma mãe termina de ler uma história para um filho, que já adormeceu, mas ela continua pois havia prometido que iria ler até o final. Amanhã ela repete tudo de novo da parte em que a pequena criança parou de ouvir. Pessoas se abraçam. Outras se beijam. Em uma outra casa, um pai perdoa o filho. Um outro filho perdoa o pai. Em um outro ponto da cidade, uma família se prepara para dormir pela primeira vez em sua nova casa. Uma outra dorme pela última vez em sua casa antiga. Algumas pessoas ainda trabalham. Outras se preparam para o trabalho do dia seguinte. Outros se preparam para uma grande entrevista de emprego. É bonito pensar que a cidade não para. Mesmo debaixo de uma noite assim, tão calma.
O avião aterriza. É hora de levantar, caminhar por corredores desertos do aeroporto, pegar a mala, procurar um táxi e ir direto para a cama, para descansar de uma viagem longa. Ao entrar no Táxi, penso, se talvez, um outro passageiro esteja tendo os mesmos pensamentos, e que um deles seja de uma pessoa que está dentro de um táxi, cansado, à espera de chegar em casa e dormir após uma longa e cansativa viagem!

sábado, 7 de maio de 2011

São duas e meia da manhã.

São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre um escritor inquieto com sua insônia, querendo pensar na sua próxima criação. Eu poderia escrever sobre seus dilemas e suas inquietações. Talvez os personagens desse escritor em alguns momento se confunda com a própria história do seu criador, e falar em terceira pessoa, imaginar os acontecimentos, seja uma maneira cruel de expor suas próprias angustias. Pensar nos próprios medos e inseguranças não é uma tarefa para qualquer um. Não chamo de fracos aqueles que não conseguem olhar para dentro de si mesmos, mas a fraqueza enraizada até mesmos nos fortes, pode impedir um ser humano de viver.
São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre o silêncio aconchegante que percebo na cidade. O caos interno e seu oposto são sempre ótimos assuntos para qualquer escrita. Pensar que em algum lugar, alguém aproveita esse silêncio para dormir é um luxo. Mas pensar que muitos preferiram o barulho de uma noite de festas tem sim sua beleza.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar sobre a amizade. O amor. A família. As verdades e mentiras. As desilusões de um amor não correspondido. As tristes belas histórias da vida real. Poderia até fingir que entendo de muita coisa e falar com tamanha propriedade de determinado assunto e ser considerado culto por assim o fazer.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar da falta de inspiração. E por coincidência citar que os momentos de maior imaginação ocorrem quando caminho pelas ruas, ou quando observo o pôr do sol. Seria tolice dizer que as grandes pequenas idéias surgem dentro do meu quarto fechado. O melhor laboratório para uma boa escrita é observar os trejeitos e vivências alheias. Roubar a vida dos outros, por mais cruel que isso possa parecer, é uma verdadeira obra de arte. Mas eu talvez não roube, eu pego emprestado e devolvo para o mundo à espera de alguém que concorde ou discorde dos meus pensamentos.
São duas e meia da manhã e continuo tagarelando comigo mesmo. E pensar que a junção de tudo isso, tudo isso e mais um pouco, não me permitiram escrever sobre o que eu talvez quisesse, mesmo percebendo que nem eu mesmo sei do que se trata minha próxima história.

sábado, 9 de abril de 2011

Um sorriso.

Um dia desses, eu estava caminhando pela rua, em direção ao meu trabalho. Não havia nada de muito especial acontecendo. Era apenas mais um dia da minha rotina... Eu havia acordado, arrumado algumas coisas que estavam fora do lugar, me arrumei, saí de casa, e exatamente nesse caminho, da portaria do meu prédio até o ponto de ônibus, eu reparei em uma mulher. Ela corria em minha direção. Não havia nada nela que chamasse muita atenção... Ela se vestia com roupas normais, os cabelos não estavam desarrumados, ela não tinha uma figura engraçada, mas também não era uma dessas mulheres maravilhosas que vemos na televisão ou nas revistas especializadas em beleza. Ela tinha um sorriso nos lábios. Apenas um sorriso. Mas foi exatamente esse movimento alegre dos lábios que prendeu minha atenção. Ela corria e ria. Pelo pequeno sorriso nos lábios, podia-se ver o quanto ela gargalhava por dentro.

Não pude deixar de evitar e com o olhar, acompanhei-a. Ela continuou correndo, e logo mais a frente entrou em uma igreja. A curiosidade humana pode ser um grande empecilho na vida de alguém. Pode arruinar muitas vidas. Pode de alguma maneira te impedir de viver. Pode inclusive fazer com que você chegue atrasado no trabalho. Mas quando nos hipnotizamos por alguma coisa ou alguém, o auto controle torna-se inexistente. Eu a segui. Caminhei até a igreja. Subi a escada. Entrei pelas portas. Senti a paz que um lugar assim dá ao ser humano. Caminhei.

Logo ao entrar pude ver aquela mulher do sorriso mágico sentada olhando fixamente para o altar. O sorriso ainda lhe dominava o rosto. Me aproximei o máximo que pude, mas sem parecer aquele louco e chato que existe em lugares públicos, onde ele propositalmente se aproxima das pessoas para ouvir conversas alheias. Aproximei. A mulher do sorriso mágico fez o sinal da cruz. Abaixou a cabeça em sinal de respeito e sussurou por entre os dentes


- Muito Obrigada pela minha vida!


E foi ali que percebi.

Comovido pela honestidade daquele sorriso, pela sinceridade daquelas palavras e pela humildade daquela mulher, olhei para o altar, fiz o sinal da cruz e por entre os dentes sussurrei


- Muito Obrigado pela minha!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um carnaval...

A verdade, é que eu acho tudo engraçado. Muito engraçado. Talvez até com um certo toque de humor negro. Mas isso quem fala sou eu, o escritor. E não o personagem da história de hoje. Se isso fosse um filme, o roteiro de um filme, ou quem sabe até um livro sobre relacionamentos amorosos, independentemente da fisionomia do meu personagem principal, as coisas seriam diferentes, e o final seria feliz... Com um Flash foward relatando as alegrias do casamento e a magnífica família. A realidade entretanto, me sugere acontecimentos muito mais fortes e cruéis.
Inicio com as apresentações.
Carlos, um homem de 27 anos, solteiro, advogado, trabalhador, honesto, gentil, de bom coração e de físico estranho.
Luíza, mais conhecida como Lu, 25 anos, morena, linda, de cabelos escuros assim como os olhos. De pele lisa e corpo estonteantemente proporcional, acentuando sua beleza.
Eles ainda não se conhecem!
O carnaval se aproxima e como de costume, as pessoas ficam todas inquietas em suas vidas. O trabalho já não rende mais, tudo o que pode ser protelado assim o é feito para depois do carnaval, e o sentimento de que o ano está efetivamente terminando para o novo que se iniciará na quarta feira de cinzas, faz com que todos queiram celebrar de sua própria maneira. Mas convenhamos, a maioria quer beber, pular, cantar e beijar na boca! E assim estava Carlos. Já não aguentava mais a idéia de que a sexta feira não passava, e o fim do dia nunca chegava. O ônibus para Ouro Preto saía as 10 da noite da rodoviária.
Seria um engano pensar que lu já fazia parte desta história. Ela era uma das moradoras da república em que carlos iria ficar e honestamente falando, ele não pensou que pudesse encontrá-la lá. Afinal de contas, é carnaval... Ninguém está procurando um grande amor e relacionamentos duradouros nessa época do ano! Conscientemente falando, não mesmo.
Ele chegou. O dia estava claro, o sol brilhava, o céu estava completamente azul. A cerveja era liberada dentro da republica, as festas estavam programadas, os blocos com abadás comprados, tudo certo, tudo no esquema. A república era um desses casarões antigos, com pisos de madeiras que ao pisar ouvia-se os barulhos da madeira, como se a qualquer momento elas fossem partir ao meio. Mas existia uma beleza naquela casa velha. Uma beleza antiga. Uma magnitude, que só antigamente pensavam. No quarto, Carlos e todos os seus amigos, que não cabem seus nomes nessa história, se ajeitavam para logo começarem a beber. E assim o fizeram.
No primeiro momento, Juliana, uma das moradoras da casa, mostrou algumas regras, esclareceu horários, festas, responsabilidades... E ao final apresentou algumas meninas... "Não estão todas aqui... Algumas ainda não chegaram" - terminou ela com as apresentações.
Não. Lu ainda não estava nesse momento.
Para que os leitores não pensem que Lu é uma imaginação da minha cabeça, ou da cabeça de Carlos, ou deduzirem que ele seja um esquizofrênico e que esse seja o grande final da história, adianto para todos o encontro dos dois. Mas sem querer estragar prazer algum, ou acabar com o momento quiça muito esperado, Carlos chegou em casa, bêbado, muito bêbado por sinal, e Lu estava lá, para abrir a porta da república. As meninas se revezavam na vigia da casa, e nesse exato momento era ela quem estava vigiando.
"Oi"- Disse carlos tentando com muita força dizer algumas palavras. "Você eu ainda não conhecia".
"Eu sou a Lu. E você?"
"Carlos. Muito Prazer!"
"Prazer! A festa foi boa né!?"
"Até de mais. Só não sei se amanhã direi a mesma coisa."
Os dois riram. Se despediram e ele se foi. Mas não fique triste caro leitor. Os sentimentos mais verdadeiros são aqueles que são fortalecidos com o tempo, e não esses que são inventados com uma simples troca de olhares.
Com o decorrer do carnaval, eles se encontraram algumas vezes. Conversaram bastante. Descobriram gostos em comum, piadas igualmente engraçadas, momentos constrangedores foram divididos, e sem mesmo pensar, ou querer, ou procurar... Carlos sentiu o que há muito já não sentia. Um interesse verdadeiro. Uma quimica real. Não era nada momentâneo. E ele, que nunca chamou a atenção de nenhuma menina por seu porte fisico, se viu olhando diretamente nos olhos da menina mais linda daquele carnaval... E foi retribuído pelo olhar.
Estranho ou não, essa troca de olhares pode muitas vezes nos enganar, tripudiar, e rir da nossa cara da maneira mais cruel possível.
"Mas aí, eu e meu namorado..." - Foi exatamente o que ela disse. Meu namorado. Carlos que não queria dizer gosto de você, fica comigo, vamos sair juntos hoje, ou qualquer uma dessas coisas que o jogo da conquista pede, ficou conversando um pouco mais, e descobriu que ela, estava junto com o mesmo cara há 3 anos. Que eles eram felizes. Que eles planejavam casamento, filhos... Que inclusive cogitavam em morar juntos no próximo ano, já que se formariam da faculdade. Nesse momento o banheiro vagou, e como estavam na fila do banheiro para tomar banho, Carlos como um legítimo cavalheiro deixou que ela tomasse banho na sua frente.
Após esse encontro, ele evitou encontrá-la, mas sem nunca distratá-la. De nada adiantaria tratar mal uma pessoa tão admirável. O carnaval acabou. Cada um voltou para a sua vida. O ano começou efetivamente. Carlos e Lu se esbarram pelo mundo virtual aleatoriamente, trocam umas palavras e outras. Nada muito especial, mas para Carlos, algo ainda existe ali. Nem que seja apenas por parte dele.
Talvez esse não seja o fim dessa história. Há quem diga que essa história nem começou. Mas, me corrija se estiver errado: Em que momento uma história começa, em onde ela termina?

sábado, 12 de março de 2011

... Outras ficcoes...

Ele era o eterno companheiro. Ele dizia sim para qualquer pergunta que lhe faziam. Ele se deixava levar por um sentimento de carinho qualquer, por mais ludico que fosse. Ele nao se cansava de fazer vontades alheias, e nao se importava em se ver abaixo de qualquer outra pessoa. Por incrivel que possa parecer, era assim que ele se via, sempre abaixo de alguem.

Certo dia ele acordou. Nao como acordamos diariamente, no nascer do sol. Ele estava desperto ja fazia algumas horas, e ainda assim, acordou como nunca antes havia aberto os olhos. E viu claramente as gagalhadas que davam a sua volta. Pode ouvir o riso maldoso das pessoas que o cercavam, e se alimentavam de sua ingenuidade.

Ele decidiu entao ser um completo idiota. A partir dai, parou de se preocupar com as opinioes alheias, com o carinho dos outros e com as palavras soltas no ar. Procurou suas proprias verdades, e seu egocentrismo hiperbolico o fez seguir em frente. Algumas pessoas estranharam inicialmente. Era um costume diferente do que estavam acostumados. Algumas aceitaram, outras porem nao gostaram muito, e passaram a evita-lo. Ele achava graca em tudo aquilo. E ria. Ria da mesma maneira que ouvira anteriormente os risos alheios.

Sem se desculpar com ninguem, e passando a respeitar a si mesmo, nosso protagonista de hoje caminha pelas ruas da cidade, consciente de que suas conviccoes estao sempre em primeiro plano. E que suas verdades nao podem mais ser usurpadas de si proprio. Passou a aceitar os carinhos verdadeiros, e sua ingenuidade sumiu de sua vida. Comecou a apreciar as atitudes bondosas em sua direcao e nao mais precisa ser aceito ou amado pelos outros para ser feliz.

E seria sim um final feliz, se tudo isso nao pasasse de ficcao!!!!


**** Peco desculpas pela falta de acento;