A verdade, é que eu acho tudo engraçado. Muito engraçado. Talvez até com um certo toque de humor negro. Mas isso quem fala sou eu, o escritor. E não o personagem da história de hoje. Se isso fosse um filme, o roteiro de um filme, ou quem sabe até um livro sobre relacionamentos amorosos, independentemente da fisionomia do meu personagem principal, as coisas seriam diferentes, e o final seria feliz... Com um Flash foward relatando as alegrias do casamento e a magnífica família. A realidade entretanto, me sugere acontecimentos muito mais fortes e cruéis.
Inicio com as apresentações.
Carlos, um homem de 27 anos, solteiro, advogado, trabalhador, honesto, gentil, de bom coração e de físico estranho.
Luíza, mais conhecida como Lu, 25 anos, morena, linda, de cabelos escuros assim como os olhos. De pele lisa e corpo estonteantemente proporcional, acentuando sua beleza.
Eles ainda não se conhecem!
O carnaval se aproxima e como de costume, as pessoas ficam todas inquietas em suas vidas. O trabalho já não rende mais, tudo o que pode ser protelado assim o é feito para depois do carnaval, e o sentimento de que o ano está efetivamente terminando para o novo que se iniciará na quarta feira de cinzas, faz com que todos queiram celebrar de sua própria maneira. Mas convenhamos, a maioria quer beber, pular, cantar e beijar na boca! E assim estava Carlos. Já não aguentava mais a idéia de que a sexta feira não passava, e o fim do dia nunca chegava. O ônibus para Ouro Preto saía as 10 da noite da rodoviária.
Seria um engano pensar que lu já fazia parte desta história. Ela era uma das moradoras da república em que carlos iria ficar e honestamente falando, ele não pensou que pudesse encontrá-la lá. Afinal de contas, é carnaval... Ninguém está procurando um grande amor e relacionamentos duradouros nessa época do ano! Conscientemente falando, não mesmo.
Ele chegou. O dia estava claro, o sol brilhava, o céu estava completamente azul. A cerveja era liberada dentro da republica, as festas estavam programadas, os blocos com abadás comprados, tudo certo, tudo no esquema. A república era um desses casarões antigos, com pisos de madeiras que ao pisar ouvia-se os barulhos da madeira, como se a qualquer momento elas fossem partir ao meio. Mas existia uma beleza naquela casa velha. Uma beleza antiga. Uma magnitude, que só antigamente pensavam. No quarto, Carlos e todos os seus amigos, que não cabem seus nomes nessa história, se ajeitavam para logo começarem a beber. E assim o fizeram.
No primeiro momento, Juliana, uma das moradoras da casa, mostrou algumas regras, esclareceu horários, festas, responsabilidades... E ao final apresentou algumas meninas... "Não estão todas aqui... Algumas ainda não chegaram" - terminou ela com as apresentações.
Não. Lu ainda não estava nesse momento.
Para que os leitores não pensem que Lu é uma imaginação da minha cabeça, ou da cabeça de Carlos, ou deduzirem que ele seja um esquizofrênico e que esse seja o grande final da história, adianto para todos o encontro dos dois. Mas sem querer estragar prazer algum, ou acabar com o momento quiça muito esperado, Carlos chegou em casa, bêbado, muito bêbado por sinal, e Lu estava lá, para abrir a porta da república. As meninas se revezavam na vigia da casa, e nesse exato momento era ela quem estava vigiando.
"Oi"- Disse carlos tentando com muita força dizer algumas palavras. "Você eu ainda não conhecia".
"Eu sou a Lu. E você?"
"Carlos. Muito Prazer!"
"Prazer! A festa foi boa né!?"
"Até de mais. Só não sei se amanhã direi a mesma coisa."
Os dois riram. Se despediram e ele se foi. Mas não fique triste caro leitor. Os sentimentos mais verdadeiros são aqueles que são fortalecidos com o tempo, e não esses que são inventados com uma simples troca de olhares.
Com o decorrer do carnaval, eles se encontraram algumas vezes. Conversaram bastante. Descobriram gostos em comum, piadas igualmente engraçadas, momentos constrangedores foram divididos, e sem mesmo pensar, ou querer, ou procurar... Carlos sentiu o que há muito já não sentia. Um interesse verdadeiro. Uma quimica real. Não era nada momentâneo. E ele, que nunca chamou a atenção de nenhuma menina por seu porte fisico, se viu olhando diretamente nos olhos da menina mais linda daquele carnaval... E foi retribuído pelo olhar.
Estranho ou não, essa troca de olhares pode muitas vezes nos enganar, tripudiar, e rir da nossa cara da maneira mais cruel possível.
"Mas aí, eu e meu namorado..." - Foi exatamente o que ela disse. Meu namorado. Carlos que não queria dizer gosto de você, fica comigo, vamos sair juntos hoje, ou qualquer uma dessas coisas que o jogo da conquista pede, ficou conversando um pouco mais, e descobriu que ela, estava junto com o mesmo cara há 3 anos. Que eles eram felizes. Que eles planejavam casamento, filhos... Que inclusive cogitavam em morar juntos no próximo ano, já que se formariam da faculdade. Nesse momento o banheiro vagou, e como estavam na fila do banheiro para tomar banho, Carlos como um legítimo cavalheiro deixou que ela tomasse banho na sua frente.
Após esse encontro, ele evitou encontrá-la, mas sem nunca distratá-la. De nada adiantaria tratar mal uma pessoa tão admirável. O carnaval acabou. Cada um voltou para a sua vida. O ano começou efetivamente. Carlos e Lu se esbarram pelo mundo virtual aleatoriamente, trocam umas palavras e outras. Nada muito especial, mas para Carlos, algo ainda existe ali. Nem que seja apenas por parte dele.
Talvez esse não seja o fim dessa história. Há quem diga que essa história nem começou. Mas, me corrija se estiver errado: Em que momento uma história começa, em onde ela termina?