terça-feira, 24 de maio de 2011

Ao chegar de uma viagem...

Eram 21:30. O céu estava limpo, e poder admirar do alto a pequena cidade toda iluminada enchia meus olhos de alegria, e a cabeça de pensamentos. O Rio de Janeiro sem dúvida alguma continua lindo. Estar aqui em baixo leva consigo a presença física. O deslocamento. A distância se torna nítida, e o tempo se torna seu inimigo. Pensar que do Catete tenho que ir para a Barra da Tijuca já me deixa preguiçoso. Ainda mais em tempos de chuva como os que ocorreram nos últimos dias.
Por isso que existe uma beleza em ver a cidade lá do alto. As distâncias parecem tão menores. Os caminhos menos obstruídos. As ruas mais iluminadas. O contorno da cidade mais brilhante e todo o resto menos aglomerado. Existe uma beleza por traz da imaginação de tudo isso. Pensar que nesse exato instante, enquanto a cidade ainda funciona banhada pela luz do luar, uma mulher está no hospital tendo seu primeiro filho, enquanto um outro casal está "preparando" um. Um casal feliz sela sua união no matrimônio, enquanto um outro diz pela primeira vez EU TE AMO. Pensar que em alguma casa uma mãe termina de ler uma história para um filho, que já adormeceu, mas ela continua pois havia prometido que iria ler até o final. Amanhã ela repete tudo de novo da parte em que a pequena criança parou de ouvir. Pessoas se abraçam. Outras se beijam. Em uma outra casa, um pai perdoa o filho. Um outro filho perdoa o pai. Em um outro ponto da cidade, uma família se prepara para dormir pela primeira vez em sua nova casa. Uma outra dorme pela última vez em sua casa antiga. Algumas pessoas ainda trabalham. Outras se preparam para o trabalho do dia seguinte. Outros se preparam para uma grande entrevista de emprego. É bonito pensar que a cidade não para. Mesmo debaixo de uma noite assim, tão calma.
O avião aterriza. É hora de levantar, caminhar por corredores desertos do aeroporto, pegar a mala, procurar um táxi e ir direto para a cama, para descansar de uma viagem longa. Ao entrar no Táxi, penso, se talvez, um outro passageiro esteja tendo os mesmos pensamentos, e que um deles seja de uma pessoa que está dentro de um táxi, cansado, à espera de chegar em casa e dormir após uma longa e cansativa viagem!

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