Um dia desses, eu estava caminhando pela rua, em direção ao meu trabalho. Não havia nada de muito especial acontecendo. Era apenas mais um dia da minha rotina... Eu havia acordado, arrumado algumas coisas que estavam fora do lugar, me arrumei, saí de casa, e exatamente nesse caminho, da portaria do meu prédio até o ponto de ônibus, eu reparei em uma mulher. Ela corria em minha direção. Não havia nada nela que chamasse muita atenção... Ela se vestia com roupas normais, os cabelos não estavam desarrumados, ela não tinha uma figura engraçada, mas também não era uma dessas mulheres maravilhosas que vemos na televisão ou nas revistas especializadas em beleza. Ela tinha um sorriso nos lábios. Apenas um sorriso. Mas foi exatamente esse movimento alegre dos lábios que prendeu minha atenção. Ela corria e ria. Pelo pequeno sorriso nos lábios, podia-se ver o quanto ela gargalhava por dentro.
Não pude deixar de evitar e com o olhar, acompanhei-a. Ela continuou correndo, e logo mais a frente entrou em uma igreja. A curiosidade humana pode ser um grande empecilho na vida de alguém. Pode arruinar muitas vidas. Pode de alguma maneira te impedir de viver. Pode inclusive fazer com que você chegue atrasado no trabalho. Mas quando nos hipnotizamos por alguma coisa ou alguém, o auto controle torna-se inexistente. Eu a segui. Caminhei até a igreja. Subi a escada. Entrei pelas portas. Senti a paz que um lugar assim dá ao ser humano. Caminhei.
Logo ao entrar pude ver aquela mulher do sorriso mágico sentada olhando fixamente para o altar. O sorriso ainda lhe dominava o rosto. Me aproximei o máximo que pude, mas sem parecer aquele louco e chato que existe em lugares públicos, onde ele propositalmente se aproxima das pessoas para ouvir conversas alheias. Aproximei. A mulher do sorriso mágico fez o sinal da cruz. Abaixou a cabeça em sinal de respeito e sussurou por entre os dentes
- Muito Obrigada pela minha vida!
E foi ali que percebi.
Comovido pela honestidade daquele sorriso, pela sinceridade daquelas palavras e pela humildade daquela mulher, olhei para o altar, fiz o sinal da cruz e por entre os dentes sussurrei
- Muito Obrigado pela minha!
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