sábado, 7 de maio de 2011

São duas e meia da manhã.

São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre um escritor inquieto com sua insônia, querendo pensar na sua próxima criação. Eu poderia escrever sobre seus dilemas e suas inquietações. Talvez os personagens desse escritor em alguns momento se confunda com a própria história do seu criador, e falar em terceira pessoa, imaginar os acontecimentos, seja uma maneira cruel de expor suas próprias angustias. Pensar nos próprios medos e inseguranças não é uma tarefa para qualquer um. Não chamo de fracos aqueles que não conseguem olhar para dentro de si mesmos, mas a fraqueza enraizada até mesmos nos fortes, pode impedir um ser humano de viver.
São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre o silêncio aconchegante que percebo na cidade. O caos interno e seu oposto são sempre ótimos assuntos para qualquer escrita. Pensar que em algum lugar, alguém aproveita esse silêncio para dormir é um luxo. Mas pensar que muitos preferiram o barulho de uma noite de festas tem sim sua beleza.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar sobre a amizade. O amor. A família. As verdades e mentiras. As desilusões de um amor não correspondido. As tristes belas histórias da vida real. Poderia até fingir que entendo de muita coisa e falar com tamanha propriedade de determinado assunto e ser considerado culto por assim o fazer.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar da falta de inspiração. E por coincidência citar que os momentos de maior imaginação ocorrem quando caminho pelas ruas, ou quando observo o pôr do sol. Seria tolice dizer que as grandes pequenas idéias surgem dentro do meu quarto fechado. O melhor laboratório para uma boa escrita é observar os trejeitos e vivências alheias. Roubar a vida dos outros, por mais cruel que isso possa parecer, é uma verdadeira obra de arte. Mas eu talvez não roube, eu pego emprestado e devolvo para o mundo à espera de alguém que concorde ou discorde dos meus pensamentos.
São duas e meia da manhã e continuo tagarelando comigo mesmo. E pensar que a junção de tudo isso, tudo isso e mais um pouco, não me permitiram escrever sobre o que eu talvez quisesse, mesmo percebendo que nem eu mesmo sei do que se trata minha próxima história.

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