quinta-feira, 16 de maio de 2013

... E ela era linda!

Não sei nem por onde começar. É engraçado isso, porque verdade seja dita, toda história tem um ínicio, meio e fim. Você pode modificar a ordem dos acontecimentos mas os fatos estão ali, alinhados, desencadeando acontecimentos e reações. Ainda assim, é díficil saber por onde começar.

Poderia ser uma grande história de amor. O primeiro encontro foi simples, tranquilo, nada arrebatador. Uma menina legal, interessante, engraçada, bonita, simpática, inteligente e tímida. Pensando melhor, a maioria dos adjetivos eu sei agora. No primeiro encontro eu podia dizer que era bonita e tímida. Não houve um diálogo concreto, duradouro, desses que você repensa por dias e vez e outra relembra nostalgicamente. Mas eu a conheci nesse dia.

No segundo encontro ela estava mais solta. Eu estava mais solto. Mais relaxados. Tranquilos. Era uma mesa de bar, rodeado de amigos, tomando uma cerveja. Umas. Talvez o relaxamento esteja explicado. A partir daí, o interesse surgiu. A vontade de se aproximar, querer saber detalhes, ouvir melhor as histórias dela. Saber de onde vinha, que filme gostava, que músicas ouvia, o que fazia para se divertir.
Como ela era bonita.
Ela tinha um sorriso deslumbrante. Era uma gargalhada fácil, calorosa, e ao mesmo tempo calmo, desprovido de qualquer interesse cômico. Ela sempre prestava atenção no que as pessoas diziam. Pode-se dizer muito sobre pessoas que olham no seu olho enquanto você conta uma história, mostrando um interesse tamanho, que você fica querendo terminar a história logo para que a outra pessoa fique sabendo a conclusão de tudo. A angustia nem é de quem escuta, e sim de quem conta. Ou talvez a angustia seja exclusivamente minha, pois o medo de decepcionar torna-se maior do que o momento em si. Mas ela não. Ela tinha a paciência de poucos e estar presente diante daquele olhar confundia minha capacidade de distanciamento. Me envolvi, e deixei me envolver. Não lutei contra isso, não resisti. Foi bom! E ela era linda!

No silêncio do meu quarto, livre dos emprecilhos alcóolicos, eu ainda pensava nela. Mas o sentimento era outro. As qualidades que me saltaram aos olhos se tornaram tão maiores do que realmente eram, que já não era possível pensar nela com olhos de um conquistador. Ela já não era real e nada viria depois disso. A imaginação é tão benéfica quanto traiçoeira. Eu já não pensava nela como semelhante, palpável, possível. Ela era inatingível, inalcansavél. Muita areia para o meu caminhão, diriam alguns. O problema de se colocar abaixo de alguém é a impossibilidade de se sentir capaz. Deixei de pensar. Achei mais válido esquecer do que sofrer. Desacreditar do que chorar. Perder do que tentar. Só não pensei que estava deixando de viver.

Passado um tempo, descobri que ela tinha um blog, e em um texto, questionava sobre um menino que vira duas vezes, que conversava olhando fundo nos olhos dele e ria almejando que ele a notasse. Questionou o sumisso dele, e até mesmo sua capacidade de escolher os homens errados. Não citou meu nome, porque sabia que eu perceberia que falara de mim! 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

2013

Ínicio de ano é sempre assim. Pensativo. Refletimos sobre tudo que já vivemos, sobre o que queremos viver, e até o que estamos vivendo. Reclamamos do que é cômodo de mais, e até do que é atipico. A rotina torna-se inquietante e o desespero por metas não resolvidas no ano que passou ressurgem, milagrosamente, em um único dia. Pulamos sete ondas, jogamos flores pra iemanjá, rezamos pai nossos e ave marias, e fazemos outras tantas coisas, isso dependendo do que você acredita. Pedimos conselhos, desabafamos aflições e procuramos soluções.

Soluções.

Emagrecer é quase sempre o topo da lista. Se não for emagrecer, certamente é manter o corpo assim. Ou ficar mais forte. O corpo está sempre no topo da lista. Resolvemos que temos que viver mais, sorrir mais, abraçar mais, conhecer novas pessoas, nutrir amizades antigas, emagrecer. Mesmo que já tenha pensando em emagrecer, ou ficar mais forte, ou manter o corpo... O corpo está sempre presente.
Decidimos que precisamos ler mais, ouvir mais, viajar mais, é tudo mais. Precisa ser mais. Queremos sempre mais alguma coisa. O desejo de MAIS é tão forte, que tem gente que pede mais, sem saber o que pedir... O importante é que seja assim, MAIS.

Renegamos o que é de menos, e esquecemos de falar menos, trabalhar menos, beber menos, fumar menos, chorar menos, ser menos... Menos reclamão, pretensioso, guloso, ingrato... Com nós mesmos. Com o próximo.

Precisamos de mudanças. Mas esquecemos que tudo parte de um único lugar, e não saber a essência disso, certamente tornará os pensamentos do ano seguinte, os mesmos que hoje surgem!

Que venha 2013!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Para você!


O cenário é uma casa. Uma dessas antigas, com portas e janelas grandes que convidam de maneira pacífica os visitantes a entrarem, se acomodarem e se sentirem bem. Os ambientes são espaçosos, acolhedores, arejados. Em tempos de verão, a sensação térmica até melhora. A iluminação é intimista, natalina até, e pertinente ao momento. Há quem pense em cenários de filmes, histórias de ficção... Mas a realidade está ali, em cada canto, som, toque e cor. Pode-se achar também que tudo foi feito de maneira para a ocasião, como se o próprio ambiente estivesse pronto para uma festa, uma reunião de amigos, um som de violão... Mas ali é onde ela vive.

O assunto transcorre de forma natural. Existe o desejo de que mais pessoas apareçam, mas também existe a certeza de que aquele instante basta. A sabedoria daquele momento reside no simples fato de que duas pessoas se reencontraram, e ainda assim, há quem pense que tudo tenha sido programado. Entre desabafos, conclusões, soluções, reclamações e generosidade, uma paz paira no ar. Aquela tranquilidade de saber que se está na hora certa, no lugar certo, e assim, todo o Rio de Janeiro se funde em um único céu mesclado por cores norturnas e diurnas!

Existe uma rede. Existe o chuveiro do lado de fora. Existe uma cerca, mesmo que imaginária, protegendo aquele lugar único. Existe uma aranha que em uma rápida olhada, parece voar no céu. Existe um silêncio que de constragedor nada tem. Existe um poste pintado, e mesas feitas de material reciclado. Existe o amor.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Te escrevo do meu silêncio

Eu te escrevo do meu silêncio.
Eu me calo, para que as palavras encontrem uma outra saída.
No movimento dos meus dedos elas se criam.
Essa, poderia ser mais uma carta de amor.
Esse poderia ser um relato de que amar vale a pena.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Eu procuro nele, a sabedoria para me comunicar.
Na certeza dos meus pensamentos, eu sei que isso é o melhor, e o que deve ser feito.
Na confusão dos meus sentimentos... Eu choro.
Essa poderia ser uma carta de reconciliação.
Ou simplesmente uma carta.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Já não falo, porque palavras se perdem no ar.
Se te escrevo, não tenho para onde enviar.
Se me perco, não sei como me achar
Se te perco, olho pro céu, e sei que lá, eu vou te encontrar.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Estou completamente cansado.
Estou emocionalmente exausto.
Essa poderia ser minha libertação.
Ou uma simples tentativa.

Mas,
se calar é o fim,
me calei,
e espero,
enfim.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Faça
Ou Fale
Ou Cale
Ou Trate
Ou Salte
Ou Sinta
Ou Pense
Ou Saia
Ou Fale
Ou Cale
E
AME!

domingo, 22 de abril de 2012

Uma conversa de domingo.

Maria - Isso é tudo o que você tem pra dizer?
Carlos - Me desculpa.
Maria - Pelo que?
Calos - Por tudo.
Maria - Por tudo é muito vago. Você pode ser mais específico?
Carlos fica em silêncio.
Maria - Eu confiei em você. Eu sempre confiei em você.
Carlos - Mas você ainda pode confiar. Eu prometo.
Maria - Acreditar em você ou em papai noel é a mesma coisa.
Carlos - Não fala assim. A gente já viveu tanta coisa junto.
Maria - Exato. Eu te pergunto, e tudo o que a gente viveu junto?
Carlos - Não joga tudo isso fora. Por favor!
Maria - Eu? Eu jogar tudo fora? Quem jogou tudo fora foi você, no momento que você agiu da maneira que agiu. Não adianta jogar essa responsabilidade pra cima de mim agora. Ela é toda sua! Quem fez a merda foi você.
Maria senta no sofá, aos prantos. Carlos continua em pé.
Maria - Eu acreditei em você. Tudo... Tudo o que você me disse. Você falou que me amava, que a gente ia ficar junto, disse que apesar de tudo eu era a única.
Carlos - Mas você ainda é a única.
Carlos se abaixa para abraçá-la. Maria se levanta com muita raiva.
Maria - Não. Eu não sou a única, eu não era a única, e honestamente, eu nunca serei a única. Alguma coisa que você me disse foi verdade?
Carlos - Tudo, tudo foi verdade.
Maria - Eu queria tanto que fosse verdade, que eu acreditei. Passei anos acreditando, mesmo indo contra a todo mundo. Ninguém nunca acreditou em você e eu fui a única que te defendia. Anos te defendendo, colocando você em primeiro lugar.
Carlos - Mas a gente pode ficar junto ainda. A gente vai ficar junto ainda.
Maria - Não. Eu deixei muito claro que você tinha que tomar uma decisão. Eu acho que a sua decisão foi tomada.
Carlos - E o que isso quer dizer?
Maria - Acabou. Você está livre agora. Pode voltar pra sua mulher, pro seu casamento. Eu acho que durante todo esse tempo, ela sempre foi a única.
Carlos - Não faz isso!
Maria - Eu acho que isso já estava feito desde o ínicio. Eu só estou percebendo isso agora.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

? Inspiração ?

O quarto está escuro. Ele prefere assim. A única luz existente é a da tela de seu computador, que irrita um pouco os olhos, mas piscar, significa perder a noção do raciocínio por alguns milésimos. Ele prefere que a luz irrite os olhos a deixar que seus pensamentos sejam interrompidos por uma simples piscada de olhos, como se o movimento das pálpebras fosse algo tão racional quanto a escolha da roupa em que usar.
Ele gostava de escrever exatamente na madrugada. Era o momento em que ele considerava mágico. Todos dormiam a sua volta, a televisão enfim se calava, e o silêncio incômodo que todo o escritor precisa tornava-se real. Ele passava a noite em claro, escrevendo seus livros, seus contos, e suas cartas. Ele não acreditava muito no email, e sempre considerou que a expectativa de receber uma carta, tornava o conteúdo muito mais agradável, sincero e emotivo. Ele não recebia muitas cartas. Os agradecimentos e respostas sempre vinham por email.
E novamente, ao chegar a madruga, e depois de dar um beijo de boa noite em seu único filho, que ele adotara dois anos atrás, sentou-se na frente do computador para escrever. Ele lembrou então da familia, dos irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Percebeu que não ligava para o irmão mais velho fazia 2 meses, e sabia também que o irmão mais novo estava com alguns problemas. Lembrou dos pais, quem tanto amava. Apesar de ainda lhe trazer lágrimas aos olhos, ele sabia que o divórcio foi a melhor opção, e que em algum momento no caminho da vida, os dois voltariam a sorrir, sem o embaraço e a incerteza de uma nova vida.
Ele pensou no cachorro da familia que morrera. Nos avós que também se foram.
Ele então, começou a escrever algumas palavras soltas em um pedaço de folha branca, e percebeu que não tinha inspiração para escrever naquela noite, e ainda assim, sem inspiração, desligou o computador com um texto pronto para ser enviado para o trabalho, e percebeu, que lá fora, a lua já estava se despedindo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Aconteceu de fato...

Isso aconteceu com um amigo, do primo do vizinho de uma uma tia que mora perto da casa de um colega de um primo meu. E talvez isso torne a coisa toda uma grande mentira. Não gosto de pensar que sou um mentiroso, ou que relato histórias repassadas de ouvido a ouvido como se a vida fosse uma grande brincadeira de telefone sem fio. E também não gosto de pensar que me levo facilmente por histórias contadas aleatoriamente, sempre que um assunto surge em uma mesa de bar ou sentado com amigos em algum lugar. Sempre tem alguém para dar veracidade a alguma lenda urbana, com a certeza ilusória estampada nos olhos e a claridade irrisória nas palavras ao relatar o caso ocorrido. Mas isso que me contaram foi bastante crível. E não se enganem, ao pensar que não fiz as perguntas cabíveis a história. Como eu disse, não me levo facilmente por qualquer lorota contada aos sete ventos. Eu preciso me certificar, de alguma maneira, de que o que estou ouvindo, é algo possível e não inventando para manter a conversa viva. Como um repórter, que antes de publicar qualquer matéria, precisa se certificar de que tudo é uma grande verdade. Repassar mentiras me tornaria um fofoqueiro da maior espécie. E não gosto do pensamento de que sou um escritor da pior espécie que há. Não inventarei histórias e direi que foram verdade se de fato, o que aconteceu for uma grande verdade. A ficção existe, a partir do momento em que não esboço qualquer sentimento ou palavra de que aquilo de fato aconteceu. Mas o que eu ouvi, de acordo com as conversas que tive, aconteceu. E confesso, me deixou boquiaberto.
E você, antes de aceitar meus argumentos, pode indagar, que palavras são meras palavras, e que como posso garantir que tudo que me disseram passou de uma grande verdade? Eu tenho um sentido além para perceber a mentira nas pessoas. Como se eu pudesse ler o corpo de um mentiroso, e perceber se é verdade ou não, como um desses detectores de mentiras. Isso não me torna um vidente, um paranormal e muito menos um grande charlatão. Eu apenas consigo ler as pessoas. E de acordo com tudo que ouvi, perguntei e analisei, o fato ocorrido, por mais absurdo e chocante que tenha sido, por mais terrível e sem piedade, aconteceu.
Mas aí, me pergunto, se você, vai acreditar e repassar uma história, que leu em um blog, que pertencia ao amigo, do primo do vizinho de uma uma tia que mora perto da casa de um colega de um primo do escritor. Talvez seja melhor deixar a história morrer. E seguir em frente.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Escolho eu.

E se de todo esse amor, me pudesse restar um pouco que fosse, eu já estaria feliz. Se ao invés de sofrer e perder um pedaço de mim, eu pudesse ter aquela fração de segundos de alegria em tê-la ao meu lado, eu ficaria bem. Se esse fim, pudesse ser um recomeço de toda nossa história, eu seria eternamente grato. Se eu não tivesse que te odiar, por seus próprios atos e falhas, e por suas omissões, eu certamente hoje estaria sorrindo. Se eu conseguisse perdoar, teria sim o coração livre para sonhar, e quem sabe, estar junto de ti. Talvez, e isso me espanta em dizer, se eu acreditasse mais no poder do amor, eu estaria contigo agora, mas você também não faria o que fez.
Se eu pudesse, eu faria. Mas a verdade, é que eu tenho que escolher entre eu, e você. E acredite, já não posso colocar você acima de mim.
Escolho eu.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Por nada, e por tudo!

Talvez fosse tudo um grande mal entendido. Se existisse alguma verdade naquela quantidade de pensamentos que passava pela cabeça dele, as coisas poderiam ser diferentes. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes. As vezes, ele gostava de imaginar as coisas. Como elas seriam se fossem desse jeito, ou daquele jeito, ou talvez de uma maneira mais ou menos assim. A imaginação prega muitas peças. Isso era algo que ele já havia aprendido com a vida. E mesmo assim, ele ainda se deixava levar por algo tão simples e poderoso como a imaginação.

Eles se corresponderam por um tempo. Com a tecnologia dos dias de hoje, onde ontem já é muito tarde para uma resposta, eles conversaram, riram, seduziram... Seduziram?

Ele se sentia estupido. Não por acreditar no amor, porque se existe algo em que ele acredita de maneira irrevogável, é no amor. Mas a estupidez provinha de uma carência maior.

Mas ele seguiu. Ele acreditou, novamente, em coisas que sua imaginação decretava. Deixar que a imaginação fale por si só, sem uma intervenção da racionalidade, é um ato de coragem. Mas a bravura para tamanha loucura sensata, pode se dissipar com uma pequena dose de realidade. E assim, novamente, aconteceu. O segundo tombo fora muito maior do que o primeiro. Ele quis chorar, mas suas lágrimas já haviam secado desde a primeira vez. Ele quis gritar, mas os gritos eram sufocados pelas convenções de loucura da sociedade. Ele quis ir embora, mas a geografia é uma linha tênue entre coração e realidade. Ele quis escrever, e assim ele escreveu, disse adeus, até logo, quem sabe um dia, Tchau!