Não sei nem por onde começar. É engraçado isso, porque verdade seja dita, toda história tem um ínicio, meio e fim. Você pode modificar a ordem dos acontecimentos mas os fatos estão ali, alinhados, desencadeando acontecimentos e reações. Ainda assim, é díficil saber por onde começar.
Poderia ser uma grande história de amor. O primeiro encontro foi simples, tranquilo, nada arrebatador. Uma menina legal, interessante, engraçada, bonita, simpática, inteligente e tímida. Pensando melhor, a maioria dos adjetivos eu sei agora. No primeiro encontro eu podia dizer que era bonita e tímida. Não houve um diálogo concreto, duradouro, desses que você repensa por dias e vez e outra relembra nostalgicamente. Mas eu a conheci nesse dia.
No segundo encontro ela estava mais solta. Eu estava mais solto. Mais relaxados. Tranquilos. Era uma mesa de bar, rodeado de amigos, tomando uma cerveja. Umas. Talvez o relaxamento esteja explicado. A partir daí, o interesse surgiu. A vontade de se aproximar, querer saber detalhes, ouvir melhor as histórias dela. Saber de onde vinha, que filme gostava, que músicas ouvia, o que fazia para se divertir.
Como ela era bonita.
Ela tinha um sorriso deslumbrante. Era uma gargalhada fácil, calorosa, e ao mesmo tempo calmo, desprovido de qualquer interesse cômico. Ela sempre prestava atenção no que as pessoas diziam. Pode-se dizer muito sobre pessoas que olham no seu olho enquanto você conta uma história, mostrando um interesse tamanho, que você fica querendo terminar a história logo para que a outra pessoa fique sabendo a conclusão de tudo. A angustia nem é de quem escuta, e sim de quem conta. Ou talvez a angustia seja exclusivamente minha, pois o medo de decepcionar torna-se maior do que o momento em si. Mas ela não. Ela tinha a paciência de poucos e estar presente diante daquele olhar confundia minha capacidade de distanciamento. Me envolvi, e deixei me envolver. Não lutei contra isso, não resisti. Foi bom! E ela era linda!
No silêncio do meu quarto, livre dos emprecilhos alcóolicos, eu ainda pensava nela. Mas o sentimento era outro. As qualidades que me saltaram aos olhos se tornaram tão maiores do que realmente eram, que já não era possível pensar nela com olhos de um conquistador. Ela já não era real e nada viria depois disso. A imaginação é tão benéfica quanto traiçoeira. Eu já não pensava nela como semelhante, palpável, possível. Ela era inatingível, inalcansavél. Muita areia para o meu caminhão, diriam alguns. O problema de se colocar abaixo de alguém é a impossibilidade de se sentir capaz. Deixei de pensar. Achei mais válido esquecer do que sofrer. Desacreditar do que chorar. Perder do que tentar. Só não pensei que estava deixando de viver.
Passado um tempo, descobri que ela tinha um blog, e em um texto, questionava sobre um menino que vira duas vezes, que conversava olhando fundo nos olhos dele e ria almejando que ele a notasse. Questionou o sumisso dele, e até mesmo sua capacidade de escolher os homens errados. Não citou meu nome, porque sabia que eu perceberia que falara de mim!