sábado, 8 de dezembro de 2012

Para você!


O cenário é uma casa. Uma dessas antigas, com portas e janelas grandes que convidam de maneira pacífica os visitantes a entrarem, se acomodarem e se sentirem bem. Os ambientes são espaçosos, acolhedores, arejados. Em tempos de verão, a sensação térmica até melhora. A iluminação é intimista, natalina até, e pertinente ao momento. Há quem pense em cenários de filmes, histórias de ficção... Mas a realidade está ali, em cada canto, som, toque e cor. Pode-se achar também que tudo foi feito de maneira para a ocasião, como se o próprio ambiente estivesse pronto para uma festa, uma reunião de amigos, um som de violão... Mas ali é onde ela vive.

O assunto transcorre de forma natural. Existe o desejo de que mais pessoas apareçam, mas também existe a certeza de que aquele instante basta. A sabedoria daquele momento reside no simples fato de que duas pessoas se reencontraram, e ainda assim, há quem pense que tudo tenha sido programado. Entre desabafos, conclusões, soluções, reclamações e generosidade, uma paz paira no ar. Aquela tranquilidade de saber que se está na hora certa, no lugar certo, e assim, todo o Rio de Janeiro se funde em um único céu mesclado por cores norturnas e diurnas!

Existe uma rede. Existe o chuveiro do lado de fora. Existe uma cerca, mesmo que imaginária, protegendo aquele lugar único. Existe uma aranha que em uma rápida olhada, parece voar no céu. Existe um silêncio que de constragedor nada tem. Existe um poste pintado, e mesas feitas de material reciclado. Existe o amor.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Te escrevo do meu silêncio

Eu te escrevo do meu silêncio.
Eu me calo, para que as palavras encontrem uma outra saída.
No movimento dos meus dedos elas se criam.
Essa, poderia ser mais uma carta de amor.
Esse poderia ser um relato de que amar vale a pena.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Eu procuro nele, a sabedoria para me comunicar.
Na certeza dos meus pensamentos, eu sei que isso é o melhor, e o que deve ser feito.
Na confusão dos meus sentimentos... Eu choro.
Essa poderia ser uma carta de reconciliação.
Ou simplesmente uma carta.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Já não falo, porque palavras se perdem no ar.
Se te escrevo, não tenho para onde enviar.
Se me perco, não sei como me achar
Se te perco, olho pro céu, e sei que lá, eu vou te encontrar.

Eu te escrevo do meu silêncio.
Estou completamente cansado.
Estou emocionalmente exausto.
Essa poderia ser minha libertação.
Ou uma simples tentativa.

Mas,
se calar é o fim,
me calei,
e espero,
enfim.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Faça
Ou Fale
Ou Cale
Ou Trate
Ou Salte
Ou Sinta
Ou Pense
Ou Saia
Ou Fale
Ou Cale
E
AME!

domingo, 22 de abril de 2012

Uma conversa de domingo.

Maria - Isso é tudo o que você tem pra dizer?
Carlos - Me desculpa.
Maria - Pelo que?
Calos - Por tudo.
Maria - Por tudo é muito vago. Você pode ser mais específico?
Carlos fica em silêncio.
Maria - Eu confiei em você. Eu sempre confiei em você.
Carlos - Mas você ainda pode confiar. Eu prometo.
Maria - Acreditar em você ou em papai noel é a mesma coisa.
Carlos - Não fala assim. A gente já viveu tanta coisa junto.
Maria - Exato. Eu te pergunto, e tudo o que a gente viveu junto?
Carlos - Não joga tudo isso fora. Por favor!
Maria - Eu? Eu jogar tudo fora? Quem jogou tudo fora foi você, no momento que você agiu da maneira que agiu. Não adianta jogar essa responsabilidade pra cima de mim agora. Ela é toda sua! Quem fez a merda foi você.
Maria senta no sofá, aos prantos. Carlos continua em pé.
Maria - Eu acreditei em você. Tudo... Tudo o que você me disse. Você falou que me amava, que a gente ia ficar junto, disse que apesar de tudo eu era a única.
Carlos - Mas você ainda é a única.
Carlos se abaixa para abraçá-la. Maria se levanta com muita raiva.
Maria - Não. Eu não sou a única, eu não era a única, e honestamente, eu nunca serei a única. Alguma coisa que você me disse foi verdade?
Carlos - Tudo, tudo foi verdade.
Maria - Eu queria tanto que fosse verdade, que eu acreditei. Passei anos acreditando, mesmo indo contra a todo mundo. Ninguém nunca acreditou em você e eu fui a única que te defendia. Anos te defendendo, colocando você em primeiro lugar.
Carlos - Mas a gente pode ficar junto ainda. A gente vai ficar junto ainda.
Maria - Não. Eu deixei muito claro que você tinha que tomar uma decisão. Eu acho que a sua decisão foi tomada.
Carlos - E o que isso quer dizer?
Maria - Acabou. Você está livre agora. Pode voltar pra sua mulher, pro seu casamento. Eu acho que durante todo esse tempo, ela sempre foi a única.
Carlos - Não faz isso!
Maria - Eu acho que isso já estava feito desde o ínicio. Eu só estou percebendo isso agora.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

? Inspiração ?

O quarto está escuro. Ele prefere assim. A única luz existente é a da tela de seu computador, que irrita um pouco os olhos, mas piscar, significa perder a noção do raciocínio por alguns milésimos. Ele prefere que a luz irrite os olhos a deixar que seus pensamentos sejam interrompidos por uma simples piscada de olhos, como se o movimento das pálpebras fosse algo tão racional quanto a escolha da roupa em que usar.
Ele gostava de escrever exatamente na madrugada. Era o momento em que ele considerava mágico. Todos dormiam a sua volta, a televisão enfim se calava, e o silêncio incômodo que todo o escritor precisa tornava-se real. Ele passava a noite em claro, escrevendo seus livros, seus contos, e suas cartas. Ele não acreditava muito no email, e sempre considerou que a expectativa de receber uma carta, tornava o conteúdo muito mais agradável, sincero e emotivo. Ele não recebia muitas cartas. Os agradecimentos e respostas sempre vinham por email.
E novamente, ao chegar a madruga, e depois de dar um beijo de boa noite em seu único filho, que ele adotara dois anos atrás, sentou-se na frente do computador para escrever. Ele lembrou então da familia, dos irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Percebeu que não ligava para o irmão mais velho fazia 2 meses, e sabia também que o irmão mais novo estava com alguns problemas. Lembrou dos pais, quem tanto amava. Apesar de ainda lhe trazer lágrimas aos olhos, ele sabia que o divórcio foi a melhor opção, e que em algum momento no caminho da vida, os dois voltariam a sorrir, sem o embaraço e a incerteza de uma nova vida.
Ele pensou no cachorro da familia que morrera. Nos avós que também se foram.
Ele então, começou a escrever algumas palavras soltas em um pedaço de folha branca, e percebeu que não tinha inspiração para escrever naquela noite, e ainda assim, sem inspiração, desligou o computador com um texto pronto para ser enviado para o trabalho, e percebeu, que lá fora, a lua já estava se despedindo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Aconteceu de fato...

Isso aconteceu com um amigo, do primo do vizinho de uma uma tia que mora perto da casa de um colega de um primo meu. E talvez isso torne a coisa toda uma grande mentira. Não gosto de pensar que sou um mentiroso, ou que relato histórias repassadas de ouvido a ouvido como se a vida fosse uma grande brincadeira de telefone sem fio. E também não gosto de pensar que me levo facilmente por histórias contadas aleatoriamente, sempre que um assunto surge em uma mesa de bar ou sentado com amigos em algum lugar. Sempre tem alguém para dar veracidade a alguma lenda urbana, com a certeza ilusória estampada nos olhos e a claridade irrisória nas palavras ao relatar o caso ocorrido. Mas isso que me contaram foi bastante crível. E não se enganem, ao pensar que não fiz as perguntas cabíveis a história. Como eu disse, não me levo facilmente por qualquer lorota contada aos sete ventos. Eu preciso me certificar, de alguma maneira, de que o que estou ouvindo, é algo possível e não inventando para manter a conversa viva. Como um repórter, que antes de publicar qualquer matéria, precisa se certificar de que tudo é uma grande verdade. Repassar mentiras me tornaria um fofoqueiro da maior espécie. E não gosto do pensamento de que sou um escritor da pior espécie que há. Não inventarei histórias e direi que foram verdade se de fato, o que aconteceu for uma grande verdade. A ficção existe, a partir do momento em que não esboço qualquer sentimento ou palavra de que aquilo de fato aconteceu. Mas o que eu ouvi, de acordo com as conversas que tive, aconteceu. E confesso, me deixou boquiaberto.
E você, antes de aceitar meus argumentos, pode indagar, que palavras são meras palavras, e que como posso garantir que tudo que me disseram passou de uma grande verdade? Eu tenho um sentido além para perceber a mentira nas pessoas. Como se eu pudesse ler o corpo de um mentiroso, e perceber se é verdade ou não, como um desses detectores de mentiras. Isso não me torna um vidente, um paranormal e muito menos um grande charlatão. Eu apenas consigo ler as pessoas. E de acordo com tudo que ouvi, perguntei e analisei, o fato ocorrido, por mais absurdo e chocante que tenha sido, por mais terrível e sem piedade, aconteceu.
Mas aí, me pergunto, se você, vai acreditar e repassar uma história, que leu em um blog, que pertencia ao amigo, do primo do vizinho de uma uma tia que mora perto da casa de um colega de um primo do escritor. Talvez seja melhor deixar a história morrer. E seguir em frente.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Escolho eu.

E se de todo esse amor, me pudesse restar um pouco que fosse, eu já estaria feliz. Se ao invés de sofrer e perder um pedaço de mim, eu pudesse ter aquela fração de segundos de alegria em tê-la ao meu lado, eu ficaria bem. Se esse fim, pudesse ser um recomeço de toda nossa história, eu seria eternamente grato. Se eu não tivesse que te odiar, por seus próprios atos e falhas, e por suas omissões, eu certamente hoje estaria sorrindo. Se eu conseguisse perdoar, teria sim o coração livre para sonhar, e quem sabe, estar junto de ti. Talvez, e isso me espanta em dizer, se eu acreditasse mais no poder do amor, eu estaria contigo agora, mas você também não faria o que fez.
Se eu pudesse, eu faria. Mas a verdade, é que eu tenho que escolher entre eu, e você. E acredite, já não posso colocar você acima de mim.
Escolho eu.