O que você quer?
Quero tudo!
Querer tudo é muito generalizado. Tudo envolve a morte. Envolve a tristeza. Envolve a solidão. Envolve sentimentos ruins.
Então eu quero as coisas boas!
Coisas boas podem ser deturbadas. Muitas coisas são boas, mas talvez não sejam boas pra você.
Então o que eu quero?
Mas essa pergunta eu te fiz!
E eu respondi.
Você está dizendo que respondeu exatamente o que você quer?
Acho que sim.
Achar não é certeza. A certeza é algo mais profundo. Mais certo. Mais delimitado. Mais real.
O desejo não pode ser real.
Mas aí que você se engana. Se ele não for real, e se você acredita que seu desejo é algo impossível, como ele se tornará realidade?
Mas o céu é o limite.
E certamente é. Mas se você não sabe onde é o seu céu, como saberá qual é o seu limite?
Você já não faz mais sentido.
Eu que não faço sentido, ou você que se perdeu em seus próprios pensamentos?
Você que não faz sentido.
Pode me culpar. Talvez eu mereça essa culpa. A verdade está tão mais profunda, que é absurdo eu querer te convencer agora...
Então a culpa é minha?
Você acha que a culpa é sua?
Acho que não.
Então me diga, o que você quer?
segunda-feira, 30 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Ao chegar de uma viagem...
Eram 21:30. O céu estava limpo, e poder admirar do alto a pequena cidade toda iluminada enchia meus olhos de alegria, e a cabeça de pensamentos. O Rio de Janeiro sem dúvida alguma continua lindo. Estar aqui em baixo leva consigo a presença física. O deslocamento. A distância se torna nítida, e o tempo se torna seu inimigo. Pensar que do Catete tenho que ir para a Barra da Tijuca já me deixa preguiçoso. Ainda mais em tempos de chuva como os que ocorreram nos últimos dias.
Por isso que existe uma beleza em ver a cidade lá do alto. As distâncias parecem tão menores. Os caminhos menos obstruídos. As ruas mais iluminadas. O contorno da cidade mais brilhante e todo o resto menos aglomerado. Existe uma beleza por traz da imaginação de tudo isso. Pensar que nesse exato instante, enquanto a cidade ainda funciona banhada pela luz do luar, uma mulher está no hospital tendo seu primeiro filho, enquanto um outro casal está "preparando" um. Um casal feliz sela sua união no matrimônio, enquanto um outro diz pela primeira vez EU TE AMO. Pensar que em alguma casa uma mãe termina de ler uma história para um filho, que já adormeceu, mas ela continua pois havia prometido que iria ler até o final. Amanhã ela repete tudo de novo da parte em que a pequena criança parou de ouvir. Pessoas se abraçam. Outras se beijam. Em uma outra casa, um pai perdoa o filho. Um outro filho perdoa o pai. Em um outro ponto da cidade, uma família se prepara para dormir pela primeira vez em sua nova casa. Uma outra dorme pela última vez em sua casa antiga. Algumas pessoas ainda trabalham. Outras se preparam para o trabalho do dia seguinte. Outros se preparam para uma grande entrevista de emprego. É bonito pensar que a cidade não para. Mesmo debaixo de uma noite assim, tão calma.
O avião aterriza. É hora de levantar, caminhar por corredores desertos do aeroporto, pegar a mala, procurar um táxi e ir direto para a cama, para descansar de uma viagem longa. Ao entrar no Táxi, penso, se talvez, um outro passageiro esteja tendo os mesmos pensamentos, e que um deles seja de uma pessoa que está dentro de um táxi, cansado, à espera de chegar em casa e dormir após uma longa e cansativa viagem!
sábado, 7 de maio de 2011
São duas e meia da manhã.
São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre um escritor inquieto com sua insônia, querendo pensar na sua próxima criação. Eu poderia escrever sobre seus dilemas e suas inquietações. Talvez os personagens desse escritor em alguns momento se confunda com a própria história do seu criador, e falar em terceira pessoa, imaginar os acontecimentos, seja uma maneira cruel de expor suas próprias angustias. Pensar nos próprios medos e inseguranças não é uma tarefa para qualquer um. Não chamo de fracos aqueles que não conseguem olhar para dentro de si mesmos, mas a fraqueza enraizada até mesmos nos fortes, pode impedir um ser humano de viver.
São duas e meia da manhã e eu poderia escrever sobre o silêncio aconchegante que percebo na cidade. O caos interno e seu oposto são sempre ótimos assuntos para qualquer escrita. Pensar que em algum lugar, alguém aproveita esse silêncio para dormir é um luxo. Mas pensar que muitos preferiram o barulho de uma noite de festas tem sim sua beleza.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar sobre a amizade. O amor. A família. As verdades e mentiras. As desilusões de um amor não correspondido. As tristes belas histórias da vida real. Poderia até fingir que entendo de muita coisa e falar com tamanha propriedade de determinado assunto e ser considerado culto por assim o fazer.
São duas e meia da manhã e eu poderia falar da falta de inspiração. E por coincidência citar que os momentos de maior imaginação ocorrem quando caminho pelas ruas, ou quando observo o pôr do sol. Seria tolice dizer que as grandes pequenas idéias surgem dentro do meu quarto fechado. O melhor laboratório para uma boa escrita é observar os trejeitos e vivências alheias. Roubar a vida dos outros, por mais cruel que isso possa parecer, é uma verdadeira obra de arte. Mas eu talvez não roube, eu pego emprestado e devolvo para o mundo à espera de alguém que concorde ou discorde dos meus pensamentos.
São duas e meia da manhã e continuo tagarelando comigo mesmo. E pensar que a junção de tudo isso, tudo isso e mais um pouco, não me permitiram escrever sobre o que eu talvez quisesse, mesmo percebendo que nem eu mesmo sei do que se trata minha próxima história.
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