domingo, 22 de abril de 2012

Uma conversa de domingo.

Maria - Isso é tudo o que você tem pra dizer?
Carlos - Me desculpa.
Maria - Pelo que?
Calos - Por tudo.
Maria - Por tudo é muito vago. Você pode ser mais específico?
Carlos fica em silêncio.
Maria - Eu confiei em você. Eu sempre confiei em você.
Carlos - Mas você ainda pode confiar. Eu prometo.
Maria - Acreditar em você ou em papai noel é a mesma coisa.
Carlos - Não fala assim. A gente já viveu tanta coisa junto.
Maria - Exato. Eu te pergunto, e tudo o que a gente viveu junto?
Carlos - Não joga tudo isso fora. Por favor!
Maria - Eu? Eu jogar tudo fora? Quem jogou tudo fora foi você, no momento que você agiu da maneira que agiu. Não adianta jogar essa responsabilidade pra cima de mim agora. Ela é toda sua! Quem fez a merda foi você.
Maria senta no sofá, aos prantos. Carlos continua em pé.
Maria - Eu acreditei em você. Tudo... Tudo o que você me disse. Você falou que me amava, que a gente ia ficar junto, disse que apesar de tudo eu era a única.
Carlos - Mas você ainda é a única.
Carlos se abaixa para abraçá-la. Maria se levanta com muita raiva.
Maria - Não. Eu não sou a única, eu não era a única, e honestamente, eu nunca serei a única. Alguma coisa que você me disse foi verdade?
Carlos - Tudo, tudo foi verdade.
Maria - Eu queria tanto que fosse verdade, que eu acreditei. Passei anos acreditando, mesmo indo contra a todo mundo. Ninguém nunca acreditou em você e eu fui a única que te defendia. Anos te defendendo, colocando você em primeiro lugar.
Carlos - Mas a gente pode ficar junto ainda. A gente vai ficar junto ainda.
Maria - Não. Eu deixei muito claro que você tinha que tomar uma decisão. Eu acho que a sua decisão foi tomada.
Carlos - E o que isso quer dizer?
Maria - Acabou. Você está livre agora. Pode voltar pra sua mulher, pro seu casamento. Eu acho que durante todo esse tempo, ela sempre foi a única.
Carlos - Não faz isso!
Maria - Eu acho que isso já estava feito desde o ínicio. Eu só estou percebendo isso agora.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

? Inspiração ?

O quarto está escuro. Ele prefere assim. A única luz existente é a da tela de seu computador, que irrita um pouco os olhos, mas piscar, significa perder a noção do raciocínio por alguns milésimos. Ele prefere que a luz irrite os olhos a deixar que seus pensamentos sejam interrompidos por uma simples piscada de olhos, como se o movimento das pálpebras fosse algo tão racional quanto a escolha da roupa em que usar.
Ele gostava de escrever exatamente na madrugada. Era o momento em que ele considerava mágico. Todos dormiam a sua volta, a televisão enfim se calava, e o silêncio incômodo que todo o escritor precisa tornava-se real. Ele passava a noite em claro, escrevendo seus livros, seus contos, e suas cartas. Ele não acreditava muito no email, e sempre considerou que a expectativa de receber uma carta, tornava o conteúdo muito mais agradável, sincero e emotivo. Ele não recebia muitas cartas. Os agradecimentos e respostas sempre vinham por email.
E novamente, ao chegar a madruga, e depois de dar um beijo de boa noite em seu único filho, que ele adotara dois anos atrás, sentou-se na frente do computador para escrever. Ele lembrou então da familia, dos irmãos. Um mais velho e outro mais novo. Percebeu que não ligava para o irmão mais velho fazia 2 meses, e sabia também que o irmão mais novo estava com alguns problemas. Lembrou dos pais, quem tanto amava. Apesar de ainda lhe trazer lágrimas aos olhos, ele sabia que o divórcio foi a melhor opção, e que em algum momento no caminho da vida, os dois voltariam a sorrir, sem o embaraço e a incerteza de uma nova vida.
Ele pensou no cachorro da familia que morrera. Nos avós que também se foram.
Ele então, começou a escrever algumas palavras soltas em um pedaço de folha branca, e percebeu que não tinha inspiração para escrever naquela noite, e ainda assim, sem inspiração, desligou o computador com um texto pronto para ser enviado para o trabalho, e percebeu, que lá fora, a lua já estava se despedindo.