O pedido dele foi muito simples. Suas palavras saíram de forma conformada e acomodada. Talvez essa comodidade que tenha me espantado tanto. Ou, talvez tenha sido a minha própria comodidade com a relação que construímos com 20 anos de casado. É muito tempo tendo alguém do lado, compartilhando os momentos, pra simplesmente...
Há dez anos ele luta contra o câncer. Quimioterapia, radioterapia, cirurgias intermináveis, sofrimento, dor... Esperança. Semana passada a gente foi ao médico pra fazer alguns exames de rotina. A notícia não poderia ter sido pior. O câncer voltou. O diagnostico foi o suficiente pra tirar dele todo o sopro de vida que ele conquistou com o passar dos anos. Eu pude ver seu sorriso lindo se dissipar do rosto. E se eu tivesse um espelho na minha frente, talvez teria visto o meu.
A gente chegou em casa. Eu chorei escondida no banheiro, enquanto deixei a torneira aberta. Eu não posso deixa-lo triste. Não agora. Eu saí. Entrei no quarto. Ele olhava um ponto fixo no teto. Seus olhos estavam sem vida, sem lágrima, sem dor. Eu perguntei se ele queria beber alguma coisa. Se estava com fome. Se queria dar uma volta, olhar o mar. Ele negava sempre, sem precisar fazer nenhum movimento. Em um ato egoísta, que só existe naqueles que verdadeiramente amam, eu perguntei o que ele queria fazer. Qualquer coisa, para mim, seria melhor do que olhar o teto fixamente. Ele me olhou, sentou na cama e disse. Morrer.
E aí eu percebi, que esperar a morte, é pior do que lutar contra ela.
Há dez anos ele luta contra o câncer. Quimioterapia, radioterapia, cirurgias intermináveis, sofrimento, dor... Esperança. Semana passada a gente foi ao médico pra fazer alguns exames de rotina. A notícia não poderia ter sido pior. O câncer voltou. O diagnostico foi o suficiente pra tirar dele todo o sopro de vida que ele conquistou com o passar dos anos. Eu pude ver seu sorriso lindo se dissipar do rosto. E se eu tivesse um espelho na minha frente, talvez teria visto o meu.
A gente chegou em casa. Eu chorei escondida no banheiro, enquanto deixei a torneira aberta. Eu não posso deixa-lo triste. Não agora. Eu saí. Entrei no quarto. Ele olhava um ponto fixo no teto. Seus olhos estavam sem vida, sem lágrima, sem dor. Eu perguntei se ele queria beber alguma coisa. Se estava com fome. Se queria dar uma volta, olhar o mar. Ele negava sempre, sem precisar fazer nenhum movimento. Em um ato egoísta, que só existe naqueles que verdadeiramente amam, eu perguntei o que ele queria fazer. Qualquer coisa, para mim, seria melhor do que olhar o teto fixamente. Ele me olhou, sentou na cama e disse. Morrer.
E aí eu percebi, que esperar a morte, é pior do que lutar contra ela.
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